Pensa ando

Até que um dia então, alguém disse: "Penso, logo existo." Em se tratando de uma palhinha filosófica, quando pensamos nessa máxima da certeza racionalista de Descartes, podemos detectar um dos indícios de grandes processos de transformação da humanidade. Se pensar pressupõe existência, qual seria então o próximo passo? Sendo humanos, pensamos porque existimos, se existimos, pressupõe-se que agimos e vice versa. Estar vivo reflete ação de alguma forma, e por isso, pensamos para gerar movimento. Por isso podemos imaginar qual a relação entre os processos mentais e práticos que realizamos. Ainda filosofando, quando Aristóteles percorre muitos caminhos do saber, sendo o pai da biologia, tratando desde a metafísica à psicologia, passando pela política e pela poesia, podemos reconhecer quão grande e potencializado é este capital intelectual, e o quanto a prática e experimentos de todo esse conhecimento, redundaram em inúmeros processos impactantes  de transformação da humanidade,   contribuindo  muito com o que  somos hoje.

Se fizermos um contraponto com essa percepção, podemos imaginar então que o não pensar, caracterizaria a inexistência. Não incutir conhecimento à mente humana, assim não permitindo que as conexões cerebrais associem dados com situações e sensações, é uma forma de abrir mão de nos tornarmos mais conhecedores e melhor preparados para a vida.  Ao abrirmos mão de pensar, de conhecer, e de fazer uso das informações que estão à nossa disposição nos instrumentos formais de capacitação, como por exemplo a bagagem acadêmica ou  qualquer meio de aprendizado, nos tornamos como que inexistentes, inócuos e despreparados para viver e conviver em sociedade. Será que faria algum sentido pedirmos licença ao célebre pensador e elaborarmos um novo ponto em cima desta icônica verdade ? Penso, logo existo. Se existo e penso, logo, devo agir. Já que estamos falando em pensar... pensando bem...  pensar muito e nada agir, nos faz no mínimo, inexistir.